A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) vai iniciar a atribuição de certificados de produção sustentável, um selo inédito no setor, que será atribuído aos produtores que cumpram com requisitos de gestão de solos, água e rega, diminuição de produção de resíduos ou monitorização da fertilização, entre muitos outros critérios.
 
Para além do benefício ambiental, a atribuição destes selos traz outras vantagens aos produtores que apostem numa viticultura mais sustentável. Em primeiro lugar, a CVRA estima que este selo aumente as vendas dos Vinhos do Alentejo na ordem dos 5 a 10%, questão relacionada com o facto de 85% dos portugueses revelar que a importância que as empresas atribuem às causas ambientais influencia a decisão de compra. Em segundo lugar, a implementação de planos de monitorização de água e luz permite uma redução de custos de cerca de 20% e de 30%, respetivamente.
 
Esta certificação surge no ano em que se assinala o 5º aniversário desde a criação do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), pioneiro em Portugal e revolucionário do setor, que conta já com 422 membros associados, que representam mais de 40% da área de vinha do Alentejo.
 
“Produções vitivinícolas mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, através da redução do uso de pesticidas, do gasto de água e eletricidade ou da proteção da biodiversidade são, sem dúvida, produções também elas mais viáveis economicamente, uma vez que tornam todo o processo, desde a uva até à garrafa mais eficaz e eficiente”, explica João Barroso, coordenador do PSVA.
 
O PSVA promove no campo, a boa gestão dos solos, a utilização de organismos auxiliares, a preservação dos ecossistemas, a conservação e restauro das linhas de água, ou recurso ao modo de produção integrada e modo de produção biológica. Na adega, a eficiência energética e o uso racional de água são prioritários, mas também o é a redução da produção de resíduos. A reciclagem e desmaterialização de processos, bem como o uso de produtos mais verdes, como o uso de rolhas, barricas e outros materiais de florestas certificadas, são, igualmente, incentivados.
 
“Ao longo dos últimos anos, tem-se verificado uma maior sensibilização e atuação por parte dos produtores alentejanos em relação à gestão de água, eficiência energética e à importância da conservação da biodiversidade, mas, com esta certificação, será possível dar o salto para uma produção ainda mais amiga do ambiente e que, sendo pioneira, destaca o espírito de inovação do Alentejo no mercado interno, mas, também, internacionalmente”, explica Francisco Mateus, presidente da direção da CVRA.
 
Recorde-se que, recentemente, o PSVA foi distinguido com o título de Embaixador Europeu de Inovação Rural pelo projeto LIAISON, uma Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade Agrícola e Sustentabilidade lançada em 2012, pela Comissão Europeia, que promove os melhores projetos europeus ao nível da inovação na agricultura e silvicultura em áreas rurais.

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