Alentejo valoriza vinhas antigas e alarga certificação do Vinho de Talha a toda a região
A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) aprovou por unanimidade, em Conselho Geral, a criação das denominações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias”, bem como o alargamento da certificação do Vinho de Talha a todo o território alentejano. As novas normas integram o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031 e visam “proteger o património vitivinícola local, alavancando a estratégia de premiumização e aumentando o valor gerado pela fileira nos mercados nacional e internacional”.
A classificação “Vinhas Velhas” passa a ser atribuída a parcelas com pelo menos 35 anos, enquanto o selo “Vinhas Centenárias” se destina a vinhas com registo anterior a 1931. Esta regulamentação estabelece um enquadramento específico para valorizar vinhos provenientes de parcelas históricas, salvaguardando a identidade e a preservação de um legado transmitido ao longo de gerações.
Paralelamente, o processo de auscultação promovido pela CVRA com enólogos, historiadores e especialistas permitiu definir critérios rigorosos para o método de vinificação em talhas de barro, uma tradição com mais de dois mil anos no Alentejo. A grande novidade reside na extensão da possibilidade de certificação a todas as sub-regiões alentejanas, reconhecendo a dispersão geográfica desta prática secular e fortalecendo o seu caráter diferenciador.
A produção ligada a vinhas antigas e ao Vinho de Talha está associada a menores rendimentos por hectare e a processos de elaboração exigentes, o que justifica a aposta em produtos de maior valor acrescentado. O presidente da CVRA, Luís Sequeira, salienta a relevância das decisões ao afirmar que “ao reconhecermos o valor das nossas vinhas mais antigas e ao definirmos, com rigor, o método de produção do Vinho de Talha, estamos a preservar um património único e a criar condições para o desenvolvimento de vinhos premium, reforçando a diferenciação, a competitividade e a criação de valor para os Vinhos do Alentejo.”


