CCB apresenta “Re‑Visitar”: o novo Plano Estratégico 2026‑2030
O Centro Cultural de Belém apresentou “Re‑Visitar – Plano Estratégico 2026‑2030”, um documento que redefine o papel da instituição no panorama cultural português e europeu. O plano propõe uma visão renovada para o futuro do CCB, reforçando a sua missão pública, a relação com os públicos e o posicionamento internacional.
Logo na abertura, o documento sublinha a necessidade de um novo olhar: “RE‑VISITAR assinala a importância de voltar a olhar, de reavaliar os parâmetros de apreciação e de relançar, com espírito renovado, uma relação significativa entre a Sociedade e a Arte.”
Um contexto global em transformação
O plano parte de uma análise profunda do cenário internacional. As grandes instituições culturais europeias vivem um momento de reflexão estratégica, procurando redefinir propósito, identidade e relevância num tempo marcado por incerteza e mudança.
O documento destaca que museus e centros culturais são hoje espaços de experimentação, imaginação e construção de futuros possíveis — verdadeiros “lugares que refletem o mundo e que são mundo”.
O papel do CCB no contexto nacional
Em Portugal, o CCB assume-se como uma instituição central na concretização do direito à criação e fruição cultural, num momento em que o país celebra os 50 anos da Constituição e os 40 anos da adesão à CEE.
A transformação urbana da Área Metropolitana de Lisboa, em particular o eixo Belém‑Tejo, é vista como uma oportunidade estratégica. O CCB posiciona-se como espaço de pensamento, debate e cruzamento disciplinar, onde cultura, ciência, economia e sociedade dialogam.
O que pedem os públicos de hoje
O plano dedica uma parte significativa à análise dos públicos, tanto a nível internacional como nacional.
Entre as tendências identificadas:
- procura por experiências culturais significativas, sensoriais e emocionalmente envolventes;
- desejo de participação ativa na criação artística;
- valorização de espaços acolhedores, legíveis e não intimidantes;
- importância crescente da hospitalidade, da mediação cultural e da dimensão emocional da visita.
O documento reforça que o desafio já não é apenas programar para os públicos, mas programar com os públicos.
Propósito, Visão e Missão para 2026‑2030
O CCB define três grandes enunciados estruturantes:
Propósito
Consagrar Arte, Cultura, artistas e públicos como protagonistas do reposicionamento da Europa no mundo, afirmando os valores da Liberdade e Diversidade.
Visão
Um CCB com forte poder gravitacional, destino único para públicos plurais, articulando conhecimento, emoção e experiência sensorial, com autonomia financeira equilibrada entre missão pública e dinâmica privada.
Missão
Afirmar o CCB como espaço de encontro, criação e pensamento, mobilizando recursos criativos e financeiros para uma programação plural e representativa da diversidade cultural contemporânea.
Vetores Estratégicos: as prioridades para o futuro
O plano organiza a estratégia em três grandes eixos:
1. Cultura Europeia
O CCB quer reforçar o seu papel como nó central de uma rede europeia dedicada à diversidade cultural, ao debate UE‑Mundo e à internacionalização da criação artística.
Inclui ações como:
- integração inteligente em redes mediáticas europeias;
- atração de opinion makers internacionais;
- incentivo ao multilinguismo;
- criação de residências artísticas e defesa de uma escola europeia para a cadeia de valor da cultura.
2. Públicos Novos
A aposta recai especialmente nas gerações mais jovens e na diversidade cultural.
Prioridades:
- novas experiências de visita, sensoriais e cognitivas;
- reforço da mediação cultural digital;
- programação ao ar livre e lifestyle cultural;
- inclusão de comunidades diversas em formatos presenciais e digitais.
3. Curadoria Territorial
O CCB assume-se como plataforma de valorização do território metropolitano, reforçando a centralidade cultural de Lisboa.
Entre as ações previstas:
- reposicionamento no eixo Belém‑Tejo;
- conclusão e ativação plena do projeto arquitetónico original;
- criação de experiências integradas de visita;
- reforço do ecossistema cultural local.
Motores de Execução
Para garantir a implementação do plano, o CCB define dois motores estruturais:
Infraestrutura Tangível e Intangível
Atualização tecnológica, melhoria da mobilidade interna e otimização da arquitetura de marca.
Sustentabilidade Económica
Valorização do Centro de Congressos e Reuniões, reforço da captação de fundos e maior competitividade em candidaturas internacionais.
Fundações: comunicação, talento e participação
O plano sublinha ainda a importância de fortalecer as bases institucionais — comunicação interna, valorização do capital humano e processos participativos — como pilares essenciais para a execução da estratégia.
“Hospitalidade acolhe Diversidade e convida à Participação, que gera Conhecimento e afirma a Liberdade.”


